Conte como se fosse um Conto #6
Puta merda, as férias já estão acabando e eu nem fiz muita coisa. Mas fazer o quê? A vida não pára não. Voltando à rotina psicótica, cansativa e divertida de um designer/estudante.
Muita expectativa para: a entrega da minha encomenda, volta às aulas do técnico, TCC (???), fim do ano (com certeza).
Enfim, venho postar o que tenho em mãos, sexto capítulo de Conte como se fosse um Conto.
Para quem não se lembra do capítulo anterior: Clique aqui!
Para quem nunca leu, comece do Zero: Clique aqui!
Capítulo VI: O Inferno é Aqui
Ela é bonita. Muito bonita. Bonita o bastante pra me deixar nervoso. Dou um gole forçado no drink. Seus olhos verdes têm um brilho selvagem que hipnotizam e seduz. O jeito como ela me encara sem receios ou embaraços me deixa um pouco sem graça, na defensiva. Sinto que o álcool ainda não subiu.
Sinceramente, eu odeio essa parte. Começar uma conversa. Ainda mais com uma mulher bonita. Nunca fui bom nessas coisas e sempre que eu entro nessa situação, me sinto como um garoto novamente: a mão treme, a barriga ronca e o suor escorre na testa. Por isso que eu apelo para o álcool: coragem líquida.
- Aceita um drink também? – foi só o que eu consegui dizer.
- Claro que sim. – Mary reponde de imediato, sentando ao meu lado.
O barman traz outro copo e nós bebemos juntos. Bebo o resto da dose de uma vez. Agora sim, o álcool subiu. Mary ao meu lado cruza as pernas, belas pernas.
- Gostei da sua tatuagem. – diz Mary. Ah sim, eu também tenho um monte de tatuagens, mas depois eu falo disso. Por enquanto, só o que você precisa saber é que ela se referiu à chama incandescente que há no meu antebraço esquerdo.
- Ela tem muito significado pra mim.
- E qual é? – pergunta ela tomando o resto da bebida e me olhando nos olhos.
- Representa o desejo, a chama da paixão e do amor às coisas únicas da vida.
Uma das minhas maiores diversões é inventar um significado novo para as minhas tatuagens a cada vez que me perguntam. Mas Mary acreditou. Eu sei, pois estamos nos beijando agora. Logo estaremos pegando um táxi, indo até a minha casa.
Na certa você deve estar achando estranho eu levar alguém que acabei de conhecer, e nem mesmo sei o nome, para a minha casa. Por que não levá-la para um motel? Não levo por que eu não gosto de motéis. Sempre imagino o tanto de gente estranha que passou por ali antes e as coisas estranhas que fizeram. Pode me chamar de fresco se quiser, mas sexo é uma coisa que se mantém entre quatro paredes. Paredes conhecidas, de preferência.
Além do mais, eu sinto que posso confiar na Mary. Não sei explicar, mas algo nos olhos dela me diz isso. E os olhos dela também dizem “me beije”. E nós nos beijamos e nos tocamos ainda dentro do carro.
Quando entramos no prédio, o porteiro nos olha estranho. Andamos rápido e entramos no elevador. Quando a porta se fecha, nos atracamos novamente. Não há espaço para música ambiente de elevador aqui. O som dos nossos beijos, nossa respiração alta e nossos corpos batendo nas paredes do elevador tomam conta do local.
A porta abre, nós saímos. Eu me atrapalho com as chaves de casa. Não sei se é por causa da bebida, do anseio ou se é por que a Mary não pára de me beijar. Consegui. A chave gira, a porta abre.
Entramos em casa sem nem olhar pros lados. Fecho a porta com o pé e nos despimos ainda no corredor. O vestido dela sai fácil e cai no chão. A lingerie preta solta rápido em minhas mãos. Vejo que ela se preparou para essa noite, ela sabia o que queria e sabia que ia conseguir. Mulheres decididas me agradam.
Caímos na cama. Meu cinto e minha camiseta também se foram. Agora é corpo com corpo. Beijos e carícias. Seus seios se esfregando no meu peito. Nossas línguas libidinosas se tocando com avidez. Minhas mãos roçando pelas suas belas pernas. A mão dela toca minha nuca me fazendo ter calafrios. “Vem!”, ela sussurra no meu ouvido. E eu vou.
Nossos corpos nus se esfregando em movimentos repetitivos. Nossa respiração ofegante e acelerada preenche o quarto. Ela geme alto e cada vez mais. Grita palavras pervertidas para mim, enquanto eu apenas continuo me movimentando em silêncio. Cada vez mais rápido, cada vez mais forte. Chegamos ao ápice e ela geme tão alto que preenche o quarto inteiro, o apartamento inteiro, o mundo inteiro. E então ficamos abraçados, imóveis, ainda ofegando.
Transamos outra vez ainda. E transaremos novamente de manhã, antes dela ir embora. Mas agora estamos deitados juntos, abraçados e ainda nus.
Fico pensando que talvez ela quisesse mais do que uma noite de sexo, talvez ela quisesse alguém para abraçar e encostar a cabeça no ombro enquanto adormece. Talvez ela também tenha saído de um relacionamento conturbado e queria alguém para lhe ajudar a superar isso.
Eu me identifico com ela agora, enquanto lembro o real significado da minha tatuagem: O inferno é aqui. Não sou religioso, mas acredito que se há um inferno, ele fica aqui, bem pertinho de nós. E nós ficamos indo e voltando dele o tempo todo, nos altos e baixos da vida. E algumas vezes ficamos lá por tempo demais e pensamos em nos matar para acabar com esse sofrimento. E outras vezes ficamos sem visitá-lo por um bom tempo, tendo uma vida boa e sem grandes problemas.
Mas o inferno é aqui, disso eu sei. E sei também que já passei tempo demais nesse lugar. Preciso sair desse poço escuro. Preciso me reerguer e voltar a viver a minha vida. Agora eu tenho certeza que posso fazer isso.
Devo tudo isso à Mary e à Ágata também. Duas belas loiras que me salvaram. Agora eu sei como encarar isso e espero que eu tenha ajudado a Mary em qualquer coisa que seja. Desejo que ela encontre o que tanto procura e saia do seu próprio inferno também. Abraço ela mais forte e nós dormimos assim, juntos.
É, já até sei o que vão falar sobre a censura desse capítulo. Mas acho que essa história tem um rumo agora.
Mas enfim, é isso aí. Trilha sonora difícil de encontrar:
Mary Mary – Velvet Underground
Capítulo VI: O Inferno é Aqui
Ela é bonita. Muito bonita. Bonita o bastante pra me deixar nervoso. Dou um gole forçado no drink. Seus olhos verdes têm um brilho selvagem que hipnotizam e seduz. O jeito como ela me encara sem receios ou embaraços me deixa um pouco sem graça, na defensiva. Sinto que o álcool ainda não subiu.
Sinceramente, eu odeio essa parte. Começar uma conversa. Ainda mais com uma mulher bonita. Nunca fui bom nessas coisas e sempre que eu entro nessa situação, me sinto como um garoto novamente: a mão treme, a barriga ronca e o suor escorre na testa. Por isso que eu apelo para o álcool: coragem líquida.
- Aceita um drink também? – foi só o que eu consegui dizer.
- Claro que sim. – Mary reponde de imediato, sentando ao meu lado.
O barman traz outro copo e nós bebemos juntos. Bebo o resto da dose de uma vez. Agora sim, o álcool subiu. Mary ao meu lado cruza as pernas, belas pernas.
- Gostei da sua tatuagem. – diz Mary. Ah sim, eu também tenho um monte de tatuagens, mas depois eu falo disso. Por enquanto, só o que você precisa saber é que ela se referiu à chama incandescente que há no meu antebraço esquerdo.
- Ela tem muito significado pra mim.
- E qual é? – pergunta ela tomando o resto da bebida e me olhando nos olhos.
- Representa o desejo, a chama da paixão e do amor às coisas únicas da vida.
Uma das minhas maiores diversões é inventar um significado novo para as minhas tatuagens a cada vez que me perguntam. Mas Mary acreditou. Eu sei, pois estamos nos beijando agora. Logo estaremos pegando um táxi, indo até a minha casa.
Na certa você deve estar achando estranho eu levar alguém que acabei de conhecer, e nem mesmo sei o nome, para a minha casa. Por que não levá-la para um motel? Não levo por que eu não gosto de motéis. Sempre imagino o tanto de gente estranha que passou por ali antes e as coisas estranhas que fizeram. Pode me chamar de fresco se quiser, mas sexo é uma coisa que se mantém entre quatro paredes. Paredes conhecidas, de preferência.
Além do mais, eu sinto que posso confiar na Mary. Não sei explicar, mas algo nos olhos dela me diz isso. E os olhos dela também dizem “me beije”. E nós nos beijamos e nos tocamos ainda dentro do carro.
Quando entramos no prédio, o porteiro nos olha estranho. Andamos rápido e entramos no elevador. Quando a porta se fecha, nos atracamos novamente. Não há espaço para música ambiente de elevador aqui. O som dos nossos beijos, nossa respiração alta e nossos corpos batendo nas paredes do elevador tomam conta do local.
A porta abre, nós saímos. Eu me atrapalho com as chaves de casa. Não sei se é por causa da bebida, do anseio ou se é por que a Mary não pára de me beijar. Consegui. A chave gira, a porta abre.
Entramos em casa sem nem olhar pros lados. Fecho a porta com o pé e nos despimos ainda no corredor. O vestido dela sai fácil e cai no chão. A lingerie preta solta rápido em minhas mãos. Vejo que ela se preparou para essa noite, ela sabia o que queria e sabia que ia conseguir. Mulheres decididas me agradam.
Caímos na cama. Meu cinto e minha camiseta também se foram. Agora é corpo com corpo. Beijos e carícias. Seus seios se esfregando no meu peito. Nossas línguas libidinosas se tocando com avidez. Minhas mãos roçando pelas suas belas pernas. A mão dela toca minha nuca me fazendo ter calafrios. “Vem!”, ela sussurra no meu ouvido. E eu vou.
Nossos corpos nus se esfregando em movimentos repetitivos. Nossa respiração ofegante e acelerada preenche o quarto. Ela geme alto e cada vez mais. Grita palavras pervertidas para mim, enquanto eu apenas continuo me movimentando em silêncio. Cada vez mais rápido, cada vez mais forte. Chegamos ao ápice e ela geme tão alto que preenche o quarto inteiro, o apartamento inteiro, o mundo inteiro. E então ficamos abraçados, imóveis, ainda ofegando.
Transamos outra vez ainda. E transaremos novamente de manhã, antes dela ir embora. Mas agora estamos deitados juntos, abraçados e ainda nus.
Fico pensando que talvez ela quisesse mais do que uma noite de sexo, talvez ela quisesse alguém para abraçar e encostar a cabeça no ombro enquanto adormece. Talvez ela também tenha saído de um relacionamento conturbado e queria alguém para lhe ajudar a superar isso.
Eu me identifico com ela agora, enquanto lembro o real significado da minha tatuagem: O inferno é aqui. Não sou religioso, mas acredito que se há um inferno, ele fica aqui, bem pertinho de nós. E nós ficamos indo e voltando dele o tempo todo, nos altos e baixos da vida. E algumas vezes ficamos lá por tempo demais e pensamos em nos matar para acabar com esse sofrimento. E outras vezes ficamos sem visitá-lo por um bom tempo, tendo uma vida boa e sem grandes problemas.
Mas o inferno é aqui, disso eu sei. E sei também que já passei tempo demais nesse lugar. Preciso sair desse poço escuro. Preciso me reerguer e voltar a viver a minha vida. Agora eu tenho certeza que posso fazer isso.
Devo tudo isso à Mary e à Ágata também. Duas belas loiras que me salvaram. Agora eu sei como encarar isso e espero que eu tenha ajudado a Mary em qualquer coisa que seja. Desejo que ela encontre o que tanto procura e saia do seu próprio inferno também. Abraço ela mais forte e nós dormimos assim, juntos.
Até a próxima.







Muitas considerações…
Primeiro, alguns pensamentos irônicos e idiotas sempre tornam o texto mais legal de se ler, pelo menos quando o leitor sou eu. Partilho do pensamento do nosso amigo de que a parte de começar a conversa é a pior, mas é necessária, queria poder sempre ter um copo de Whisky em meu auxílio.
Segundo, é impressão minha ou a narração está mudada? confesso que não gostei, achei meio estranho coisas do tipo “Mas Mary acreditou. Eu sei, pois estamos nos beijando agora.” sei que a narrativa é em primeira pessoa, mas eu não tinha me incomodado com isso antes, comentei certa vez com o Preto que não sou fã da narrativa em primeira pessoa, mas certas pessoas a usam muito bem, e por isso também me arrisquei nisso umas vezes, na MINHA opinião, você acertou 5 e errou 1, é um bom ‘streak’.
Terceiro, por mais que a narrativa tenha me incomodado, devo admitir que a história é boa, sua mente fértil a pensou muito bem, e nisso você não deixou a desejar, descobri que não é a narrativa que ME dá o sentido de “nossa, já acabou?” e sim os fatos da história.
Quarto, falar de sexo sem pudor na arte, sem ser pornográfico, é muito raro, e isso causa um estranhamento, nada de ruim, mas é meio bizarro, ficou bom, mesmo causando umas feições do tipo: O.O
Quinto, não vou falar muito de “mimesis” quem te conhece sabe como você pensa, e sabe comparar e identificar isso na sua arte, e por mais que você não tenha me contato, e negue até a morte, eu identifiquei algum padrão da história com a sua vida, mas se você vai negar isso, faça melhor.
É isso ai mano, acho que por fim, foi um capítulo bom…