Conte como se fosse um Conto #5
Aqui estou eu novamente, depois de alguns meses de meditação e reviravoltas.
Aqui estou eu novamente, para provar que ainda posso escrever. Que meus espíritos não me abandonaram, embora eu tenha abandonado a boêmia.
Para quem não se lembra do capítulo anterior: Clique aqui!
Para quem nunca leu, comece do Zero: Clique aqui!
Sem mais, espero que gostem:
Capítulo V: Pandemônio
O fato é que poucos lugares em São Paulo me assustam. O Pandemonium é um deles. Não que me assuste de verdade, apenas me deixa com medo do que encontrar lá ou algo assim. Não. O Pandemonium me surpreende. Sempre.
Fui lá já umas três vezes (não é um bom lugar para freqüentar assiduamente) e em todas às vezes eu consegui me meter em uma briga. Sempre por motivos completamente diferentes e absurdos. E isso porque que eu não sou de me meter em brigas.
Antes de começar a contar as histórias desse bar temível, vou explicar o conceito do Pandemonium.
A palavra “pandemonium” é uma expressão criada pelo poeta John Milton em seu livro Paraíso Perdido para designar o palácio de Satã, e também é usada como a capital imaginária do inferno.
Agora imagine um bar com o nome Palácio de Satã, ou ainda Capital do Inferno. Agora saiba que esse lugar existe. E que ele representa bem o nome que tem, já que o Pandemonium é o “Paraíso dos Demônios”, como também é chamado. Um bar perfeito para quem quer:
Primeiro: Beber até cair e não ter que se preocupar com ninguém te incomodando. Se você desmaia no Pandemonium, você continua desmaiado lá mesmo. Ninguém pára pra te ajudar. O canto em que você desmaia é seu, e ninguém vai te perturbar por isso.
Segundo: Dançar até cair, literalmente falando. O Pandemonium tem um DJ (na verdade um diferente toda noite, já que ninguém fica muito tempo nesse lugar) que sempre toca Rock’n Roll e Hardcore.
Terceiro: Arranjar briga com metade do bar sem você precisar ter feito alguma coisa ou mesmo ter um motivo pra brigar. O que importa é bater no cara mais próximo. Ninguém escapa de uma briga de bêbados ali dentro.
Quarto: Encontrar pessoas sem o mínimo de pudor. O Pandemonium não é um lugar pra você ir se estiver comprometido. Se você for, você com certeza ficará com alguém, mesmo que você não queria. Acredite. Respeito não é uma palavra com sentido ali dentro.
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Então aqui estou eu, sentado num balcão com um drink à mão, observando os habitantes do “palácio” nessa noite. Na pista de dança temos diversos demônios dançando e pulando, entre eles está Ágata. Ela adora dançar. E eu odeio. Sempre odiei.
Nas mesas ao canto há competições de quem bebe mais drinks, quem bebe mais rápido o drink mais forte sem careta, quem agüenta ficar bebendo mais tempo sem desmaiar, quem segura mais tempo a vontade de ir ao banheiro e diversas outras competições idiotas que só bêbados podem fazer.
Agora, o balcão é o lugar das pessoas mais “centradas”. Solitários como eu, ou apenas pessoas que querem se embriagar em paz e sozinhas. Os barmans daqui não são do tipo que ficam fazendo malabarismos e coisas assim, eles são adeptos do velho método “pegue a garrafa e encha o copo”.
E enquanto o barman enche o meu copo novamente, eu apenas observo a Ágata dançar ao longe, sozinha. Ela dança como louca, como se a vida dependesse disso, como se fosse a última coisa que faria na vida. Resumindo, ela dança com vontade. Com vontade de viver. Com vontade de dançar. E enquanto ela dança, suas tatuagens parecem se mover em seu corpo. Dançam e pulam também. A tinta ganha vida e movimento na pele branca. Mas de repente outra tatuagem invade o espaço. Um corvo negro de asas abertas é o que a garota de cabelos pretos que se aproxima de Ágata têm nas costas. Mau presságio? Não acredito nessas coisas.
Então agora estão as duas dançando, Ágata e Corvo. Opa. É preciso explicar aqui que ninguém no Pandemonium tem identidade. Aliás, a última coisa que importa é o seu nome. Não. Na verdade isso nem importa. Então chamaremos esta garota de Corvo, só pra nomeá-la mesmo. Enfim, agora estão as duas dançando, Ágata e Corvo. E Corvo dança tão bem quanto Ágata. Não com tanta vontade, mas com sutileza e sensualidade. Uma vez alguém me disse “Não há nada mais sexy do que mulher dançando”. Eu complemento “Não há nada mais sexy do que duas mulheres dançando”.
Vejo como em câmera lenta. As duas dançando juntas. Os pés batendo no chão acompanhando a batida. As pernas se enroscando e os quadris se movendo como serpente. Os cabelos ricocheteando e acompanhando os movimentos do resto do corpo. As mãos tocam e agarram nuca, pernas, barriga e cintura. E por fim, um beijo lascivo que sela a dança como um ritual pecaminoso e impuro.
Mas agora eu já sei no que vai dar essa história, onde Ágata e Corvo vão parar. Então desvio o olhar e continuo a observar os demônios no lugar. A decoração vermelha do bar só realça a semelhança com o inferno que esse lugar tem.
- Meu vestido combina com seu drink.
É loira, usa um vestido vermelho, olhos verdes de volúpia. Olho para o meu copo: Blood Mary. Não há nenhuma tatuagem à vista para que eu possa nomeá-la, mas você já sabe como vou chamá-la, não é? Você já pegou o espírito da coisa.
Imaginem que esse lugar exista. Imaginem, por que se existir mesmo, eu ainda não o vi.
E, ah, se quiserem, podem dizer agora que eu tenho obsessão por lésbica sim.
Trilha sonora de hoje é: Metallica – Whiskey In The Jar.
(Aviso aqui que eu não gosto de Metallica. Só dessa música mesmo. Não gosto de Metal no geral e nem sou muito conhecedor dessa área. Mas essa música é originalmente de uma banda de hard rock irlandesa chamada Thin Lizzy. Mas eu prefiro ela com o Metallica).
Enfim, é isso aí. Pandemônio.
Até a próxima.
Tchau.







Primeira coisa que pensei ao vêr o post: “kct, essa merda tá grande”
Segunda coisa que pensei ao vêr o post: “kct, já acabou?”
Terceira coisa que pensei ao vêr o post: “kct, Metallica? como assim?”
P.S.: Acho que você já sabe o que eu achei do texto!
P.P.S.: Odeio estar fora do clima!
P.P.P.S.: Sim, roubei esses P.P.S.’s do Senhor dos Anéis
P.P.P.P.S.: Não, eu não esqueci de dizer “Kra, que obsessão por lésbicas.
kar que obcessão pro lésbicas [+1]
não entendo como se encaixa na sua vida, masi a história ta bem legal; a Àgata é pegadora meeeeeeeen;
aaaah quero saber o que vai acontecer com vc e a demoninha ‘-’
E quem disse q a história é sobre a minha vida??
E pq vc sempre comenta duas vezes??