Conte como se fosse um Conto #4

O mais difícil em escrever esse capítulo foi achar um título e uma música pra trilha sonora, mas agora que achei estou postando aqui pra quem quer que leia.

Quarto capítulo já.

E aí está:

Capítulo IV: Perdido

- Antes de tudo, o que houve com seu telefone?

- Desliguei.

- E o celular?

- Escondi em algum lugar que não o escutasse.

- Por quê?

- Porque não quero falar com ninguém.

- Nem comigo?

Que pergunta perigosa, pensei.

- Er… É.

- E por quê?

- Porque não. Você sabe o porquê.

- E você não devia estar trabalhando?

- Tirei férias.

- Como?

- Liguei pro Vargas e disse que queria umas férias.

- E ele aceitou isso numa boa?

- Não sei. Desliguei antes dele poder responder.

- Você sabe que eu tenho te ligado que nem uma louca, né?

- Imagino…

- VOCÊ É UM IDIOTA! UM TREMENDO IDIOTA BASTARDO! FILHO DA PUTA, VOCÊ TEM IDÉIA DA PREOCUPAÇÃO QUE ME FEZ PASSAR?

- …

- Ahh, por que você tem que ser sempre assim? Por que você não pára com isso e vai viver a sua vida?

- Eu estou vivendo. Só quero uns dias de folga pra pensar.

- MENTIRA! Você quer é ficar remoendo toda essa história enquanto se enche de whisky e lamentos. Por que você não esquece essa garota?

- Você fala como se fosse fácil.

- Você saberia se tentasse, pelo menos.

- E você acha que eu não tentei?

- É claro que não. Não de verdade. E não tentou porque você não quer esquecê-la. Olha pra você. São cinco horas da tarde e você estava dormindo. Desde quando você passa o dia todo dormindo?

- Desde que eu tirei férias. Não é pra isso que elas servem? Pra descansar?

- Pára de ser cínico, seu idiota estúpido! Eu estou realmente preocupada com você.

Foi aí que eu percebi que tinha que parar com aquela criancice. Afinal, ela é minha melhor amiga. Não tinha que tratá-la assim.

- Tá bom, Ágata. Desculpa. É que eu não sei o que fazer, sabe? Eu estou meio perdido… De uma hora pra outra eu perdi tudo. Tudo o que eu tinha. Eu não tenho mais planos, eu não sei mais o que fazer. Não sei como continuar.

- É por isso que você tem que esquecê-la. Ela não te faz bem e você vai continuar bancando o idiota?

Sim, eu vou. Pensei em falar, mas não posso. Não posso continuar assim.

- Ágata, eu…

- Não fala nada. Só me escuta. Vocês se amavam. Vocês ficaram juntos. Vocês fizeram besteiras. Os dois. E isso mudou tudo. Não tem mais o que fazer. Não é se lamentando que isso vai mudar. Ou você faz alguma coisa a respeito pra mudar isso ou você esquece esse assunto.

- E o que você acha que eu posso fazer pra mudar isso?

- Aí, viu? Você não quer esquecê-la. Já disse que ela não te faz bem, você sabe disso, então por que continua insistindo tanto?

- Por que… Eu ainda a amo.

- Então deixe de amá-la. – e então, como se uma idéia lhe saltasse à mente, seus olhos brilharam – Deixe de amá-la agora. Hoje.

- E como você espera que eu faça isso?

- Vem! Levanta! Eu te explico. Você só precisa sair. Sair de casa sabe. Você precisa ver as pessoas lá fora. E as pessoas precisam te ver. Não assim, claro. Você está um lixo. Mas você só precisa se arrumar. Vai lá, enquanto eu tento dar um jeito em toda essa bagunça.

- Me arrumar pra quê?

Nessa hora ela fez um gesto muito comum pra ela. Colocou as mãos na cintura, o quadril um pouco para a direita, um esboço de sorriso e um olhar de “eu-vou-fingir-que-não-ouvi-isso”. Foi o primeiro sorriso que eu dei em três dias.

- Tá bom. Eu vou me arrumar.

Entrei no banheiro com uma toalha e liguei o chuveiro. Então perguntei, gritando do chuveiro, onde íamos.

- No Pandemonium. – foi a resposta.

E é isso aí.

E a trilha sonora (depois de ficar horas procurando, achei sem nem mesmo procurar), White Stripes – I Just Don’t Know What To Do With Myself.

(E não, eu não sei porque tem uma dançarina nesse videoclipe, se alguém souber coloca aí nos comentários. Mas sugiro que vejam a letra e entendam o porquê eu escolhi como trilha sonora pra esse capítulo.)

Preciso dizer aqui que estou gostando bastante de escrever essa história. E também gosto dos comentários que me fazem dela (embora alguns sejam do tipo “Tá fazendo o que no MSN?? Vai escrever, porra!”). Espero que todos gostem, e que comentem, gostando ou não.

Enfim, até mais.

3 Comentários em “Conte como se fosse um Conto #4”

  1. disse:

    tem uma dançarina pqe dançarinas são sensuais ué u_u’ ta parei
    SHAUSHUAHUSAHU
    aaah , vc até parece gente grande escrevendo assim meu *–*
    mas eu já tinha lido isso, então vai escrever vai vai vai !

  2. Yann disse:

    Eu estranhamente me sinto no dever de comentar, mesmo não tendo um comentário a fazer .-.
    só posso dizer, vai nessa mano, e se precisar de uma opnião minha, leia os comentários dos outros posts…

  3. Pamers* disse:

    Acho que eu não sakei onde ficam todos os comentários ‘-’
    que porra!
    Cade o resto da histórica? D:

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